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quinta-feira, 25 de março de 2010

Os bastidores da poesia

No texto “A filosofia da composição. Edgar Allan Poe” destaca a observação do autor em relação aos bastidores da escrita. “Eles teriam calafrios se tivessem que permitir ao publico dar uma olhadela por trás da cortina (Poe)”.

Na filosofia da composição teremos como testemunhar um desses processos, com a obra “O Corvo”, enfatizando que em nenhum ponto de sua composição pode ser atribuído á intuição ou á sorte;e que aquela avançou até seu termino ,passo a passo com a mesma exatidão e lógica rigorosa de um problema matemático.

E a dimensão deveria ter, ”limite da extensão de um poema deve ser muito bem pensado, para manter uma relação matemática com o mérito, do mesmo (...);em outras palavras,com a quantidade autêntico efeito poético com que possa impressionar as almas.Poe”

Fazendo uso dos temas universais mais profundos da existência, a morte e o amor. Poe em sua maestria junto à morte de sua amada e a certeza de jamais encontrá-la. “Assim a melancolia é o mais idôneo dos tons poéticos”.

Já tendo seu tema principal ele terá que o desenvolves dando intensidade aos personagens, podendo atuando na construção do poema, segundo ele “e algum eixo sobre a qual toda a máquina pudesse girar” cênico, efeitos conhecido pela arte. Já escolhido a dimensão.

Ele terá que escolher a palavra a ser usada como dando ênfase ao caráter da palavra nevermore (nunca mais) Poe diz que na verdade esta foi à única que veio na cabeça dele. A escolha do corvo para a reprodução da palavra é por ele ter uma conotação de “mau agouro”, repetindo obstinadamente no final de cada estrofe. Tendo que juntar suas idéias: um amante que chora a amada morta um corvo que repetia continuamente a palavra nevermore.

O poema foi escrito por metros onde a cada estrofe o som da palavra detenha um efeito. A engenhosidade do poema me espantou a intimidade das técnicas do Poe com a destreza de aplicação fez com que eu entendesse o motivo com que ele é um dos maiores ícones da literatura romântica.



Karina Branzes

quinta-feira, 18 de março de 2010

"The Raven"

 Com "o corvo" em casa, eu pensei que poderia adentrar na narração do poema, aos momentos dramáticos, e a experiência do terror. Ao ler o texto complementar: A filosofia da composição, escrita pelo próprio Edgar Allan Poe, e traduzida por Diego Raphael, senti umas bicadinhas... O corvo me atacou! Não sabia o que era sílabas métricas. Que terror!
 Tratei de estudar e fiquei feliz da internet estar funcionando. Santa net! Já de cara ví um artigo de Helder da Rocha. Dizia que "The Raven" ganhou fama internacional e foi encarado como um desafio por diversos tradutores. Entre os tradutores:  Baudelaire e Machado de Assis. Isso seria um motivo para eu ficar feliz? Não é que chamar o poema de "The Raven" o deixou mais leve?!
 Rocha nos diz que a tradução de Machado não preservou a estrutura do original. Eu pensei: "Malditas sílabas métricas. Que me perdõe Camões"... O pobre do Machado só conseguiu preservar o terror claustrofóbico que caracteriza o poema original. Assim diz Helder da Rocha.
 Ainda sengundo o colega, quem finalmente resolveu o problema foi Fernando Pessoa. Eu não me contive, escapuliu em meu pensamento a dúvida: com qual de seus pseudônimos? Isso já é uma outra história...
 Para não abusar da sorte eu vou continuar chamando o poema de "The Raven". Só para poder pedir para a professora explicar as malditas sílabas métricas, e de "lambuja" nos divertir com o teor literário de Allan Poe. 

Karina Branzes



O corvo

 Na última oficina de leitura e escrita, a professora aplicou um exercício que constituía em ler o poema: o corvo, de Edgar Allan Poe. Depois deveríamos postar uma reflexão sobre o mesmo. No começo adorei. Já conhecia o escritor através dos quadrinhos da Lenore. Pronto! Super fácil! Que inocência...
 Nada fácil foi o exercício. Não conseguia me concentrar na leitura. A turma não parava de falar... Eu prestava atenção nos ruídos da sala...Que chato, eu tinha um poema para ler!
 Alguém perguntou: " O que é umbrais?". Que agonia, eu também não sei! O exercício que achei que iria adorar se tornou o próprio "corvo". "Estava perdida!".
Para alívio de todos, a internet caiu...
Eu trouxe o corvo para casa...

Karina Branzes.

sábado, 13 de março de 2010

quarta-feira, 10 de março de 2010

Caiu das árvores?

João Cabral de Melo Neto em Considerações do poeta em vigílio(1996); e Rachel de Queiroz em Escrever, O Estado de São Paulo (2000), e A inspiração não vem para todos, O Estado de São Paulo (2003); concordam em dizer que a escrita trata-se de um duro processo. Nas palavras de Queiroz (2000): "O processo todo é penoso e dolorido -e se pode comparar a alguma coisa, digamos que se parece muito com um processo fisiológico-, que se assemelha terrivelmente a gestação, que cujo o parto se arrastasse por muitos meses e até anos"; ou nas palavras de Cabral de Melo Neto (1996), no caso da poesia: " (...) a poesia é uma composição. Quando digo composição, quero dizer uma coisa construída, planejada - de fora para dentro".
Ao pensarmos no processo da construção da escrita compreendemos que ela está ancorada em dois fatores, aos quais podemos resgatar: O primeiro é o caráter histórico da escrita, ou seja, onde ela é concebida a duras penas através do desenvolvimento e da valorização da mesma, o que requer a nossa compreensão aos "processos", aos quais a escrita está associada, ou seja, ela não é uma entidade, não nasce do chão, e nem cai de árvores... É um processo construído historicamente por indivíduos, e por seus grupos sociais distintos, um pequeno exemplo: o domínio do ensino a escrita pela igreja católica.
O segundo fator, trata-se do processo de apreensão individual da escrita, ou seja, aquele que o aluno consegue perceber, uma vez que ele está diretamente envolvido no processo de aprendizagem. De qualquer forma, tanto a escrita histórica, quanto a individual, requer um olhar que esteja além da nossa noção de "primeira pessoa". Embora ela aconteça no "eu", ela está além de "nós".
Entretanto, quando falo que a escrita está "além de nós", em nenhum momento faço menção de que ela esteja em um "plano superior", assim, não se trata de "dom divino", ou "celestial", ainda que sejamos tentados a admirar aqueles que concebemos como "mentes privilegiadas", tais como os "Machados da vida". Talvez pelos nossos resquícios medievais, onde o ato de ler e escrever são compreendidos como um dom divino, doado por Deus, apenas aos seus predestinados. Talvez seja uma das origens dos problemas dos escritores brasileiros, mencionados por Cabral de Melo Neto, onde denuncia a leviandade intelectual brasileira, na qual os "escritores" apoiam-se no improviso.
Daí o meu gancho aos problemas da educação a escrita individual formal brasileira, ou seja, a ineficiência ao ato de construção da escrita individual, onde os alunos, ao menos no Estado, encontram-se a mercê do desenvolvimento de seus "talentos individuais". É uma pena que nessa sofrida parcela da população "machadinhos" não sejam descobertos! Ah! Rachel nos avisou: "Deus sempre é parco na concessão de dotes: OS QUE ACUMULAM SÃO SEMPRE", (essa última foi apropriação minha, nada indevida!)
Karina Branzes